"Grande parte da retórica esquerdista tradicional procede de noções obsoletas da ética do trabalho: o burguês seria mau porque não realiza nenhum trabalho produtivo, enquanto que os honoráveis proletários mereceriam os frutos de seu trabalho, etc. Com o trabalho tornando-se a cada vez mais desnecessário e dirigido para fins cada vez mais absurdos, esta perspectiva perdeu todo o sentido que porventura teve algum dia. A questão não é elogiar o proletariado, mas aboli-lo".
Mostrando postagens com marcador Filosofia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Filosofia. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 31 de maio de 2011
sábado, 28 de maio de 2011
Mahatma Gandhi - A única revolução possível é dentro de nós
Não é possível libertar um povo, sem antes, livrar-se da escravidão de si mesmo.
Sem esta, qualquer outra será insignificante, efêmera e ilusória, quando não um retrocesso.
Cada pessoa tem sua caminhada própria.
Faça o melhor que puder.
Seja o melhor que puder.
O resultado virá na mesma proporção de seu esforço.
Compreenda que, se não veio, cumpre a você (a mim e a todos) modificar suas (nossas) técnicas, visões, verdades, etc.
Nossa caminhada somente termina no túmulo.
Ou até mesmo além...
Segue a essência de quem teve sucesso em vencer um império...
Friedrich Engels - O anti-Düringh
O marxismo é um conjunto de idéias filosófico-ideológicas, com traços de economia. Procura explicar a estrutura e funcionamento do sistema capitalista e avaliar caminhos para a superação de suas deficiências. Suas concepções básicas foram assimiladas, aceitas e seguidas por mais da metade da população do globo terrestre. Infelizmente as idéias de Marx transformaram-se em dogmas religiosos, mesmo quando o tempo começava a abalar seus fundamentos. Qualquer contestação às teses de Marx, Lenin, Stalin, Mao e tantos outros geravam, para autor da crítica, acusações de "reacionário", "porco revisionista", "burguês explorador", "pequeno-burguês egoísta". Os defensores do ideário capitalista também criaram uma religião, ainda mais severa e intolerante. Os marxistas, socialistas, anarquistas, toda a esquerda enfi eram acusados de "criminosos", "comedores de criancinhas", "vermelhos adepto do demônio", "risco para a juventude, a família e a religião cristã". Repentinamente caiu o Muro de Berlim. Aliás não caiu, porque bem construíd mas foi derrubado, tijolo por tijolo, pedra por pedra. A derrubada foi feita pelos qu não mais suportavam o autoritarismo burocrático-religioso e, há anos, vinham sonhando com a liberdade que, apesar de tudo, ainda não é plena. Hoje se pode conhecer as afirmações marxistas, não como dogmas, mas com um conhecimento que é herdeiro da antigüidade clássica (Grécia, Roma), do Oriente antigo, da Filosofia alemã e francesa, da Economia inglesa. Suas análise são de uma lógica rigorosa, a análise das distorções do capitalismo é sugestiva intrigante.
domingo, 22 de maio de 2011
Augusto Comte - Discurso Preliminar Sobre o Espírito Positivo
O conjunto dos conhecimentos astronômicos não deve mais ser considerado isoladamente, como até aqui, mas constituir de ora avante apenas um dos elementos indispensáveis do novo sistema indivisível de filosofia geral que hoje atingiu finalmente sua verdadeira maturidade abstrata, depois de ter sido gradualmente preparado pelo concurso espontâneo dos grandes trabalhos científicos dos três últimos séculos.
terça-feira, 10 de maio de 2011
Karl Marx - o 18 brumário de Luís Bonaparte
Nesse texto, Marx analisa a conjuntura política de uma formação econômico-social capitalista específica, a francesa, do período das revoluções de 1848 até o golpe de Luís Bonaparte, utilizando o instrumental teórico da ciência da história, que ele e Engels inauguraram, o “materialismo histórico”, criando, assim, a possibilidade do conhecimento científico das sociedades.
Nesse sentido, este trabalho, juntamente com “As lutas de classes na França de 1848 a 1850”, é pioneiro na análise de uma realidade concreta, dos acontecimentos e disputas políticas, do “jogo político”, a partir do ponto de vista teórico do proletariado, a partir da posição do proletariado na luta de classes, analisando os interesses econômicos das classes e das frações de classe que disputam o poder político.
Como afirma Engels, no prefácio à terceira edição alemã de “O 18 Brumário”: “Foi precisamente Marx quem primeiro descobriu a grande lei do movimento da história, a lei segundo a qual todas as lutas históricas, quer se desenvolvam no terreno político, no religioso, no filosófico ou noutro terreno ideológico qualquer, não são, na realidade, mais do que a expressão mais ou menos clara de lutas de classes sociais...”
Assim, este livro, que completa 133 anos, se inscreve no esforço teórico dos revolucionários de identificar os interesses de classe em disputa no “teatro” político. Ou seja, tentar compreender as disputas entre Partidos, tendências, personalidades políticas, burguesas e pequeno-burguesas, já com a presença do proletariado como força política autônoma. Disputas que se expressam na “superfície”, no jogo das aparências, e que cumprem o papel de esconder, diluir, os reais interesses de classe. Interesses que, no fundamental, se dão na esfera “econômica”. Mas ao cumprirem esta “função”, de esconder os interesses de classe, fazem parte e interferem na conjuntura, no desenvolvimento da luta de classes e, no fundamental, a serviço dos objetivos das classes dominantes exploradoras.
Estas manifestações e representações políticas das classes, frações de classe e os indivíduos (enquanto membros de determinada classe) têm como base a produção, as relações de produção, que são relações de exploração, de luta de classes de uma determinada sociedade, nesse caso, capitalista. Tenham elas consciência ou não deste papel ideológico e político que cumprem.
Um outro aspecto a ser destacado no “18 Brumário”, que revela a profundidade do compromisso de Marx com os interesses estratégicos do proletariado, fica evidente quando ele vislumbra na insurreição proletária de junho de 1848, “sufocada e derrotada”, o “... ponto de partida revolucionário, isto é, a situação, as relações, as condições sem as quais a revolução moderna não adquire um caráter sério.”
Vislumbra e aponta o início da época das revoluções proletárias, mesmo analisando que “escarnecem com impiedosa consciência as deficiências, fraquezas e misérias dos seus primeiros esforços”. Eis o Marx científico e revolucionário, a analisar a conjuntura, em determinado momento histórico, em uma determinda correlação de forças, em determinado estágio da luta de classes, com o objetivo de enriquecer e desenvolver a teoria do proletariado, que se desenvolvia e amadurecia neste período (da experiência do proletariado nas jornadas de junho de 1848 e em todo o processo até o golpe de dezembro de 1851), como arma transformadora da realidade.
Procuramos organizar a leitura, estudo e discussão do livro “O 18 Brumário” para avançar na assimilação do método de análise de Marx, da teoria marxista, do materialismo dialético e do materialismo histórico, a fim de compreender a atual conjuntura mundial e, principalmente, a brasileira. Tendo como horizonte que “A filosofia marxista sustenta que a questão mais importante não é compreender as leis do mundo objetivo e poder, por isso, explicá-lo, mas sim utilizar o conhecimento dessas leis para transformar ativamente o mundo. (Sobre a prática – Mao Tsetung). E mais: “De onde provêm as idéias corretas? Caem do ceú? Não. São inatas dos cérebros? Não. Só podem se originar da prática social; das três classes de prática: a luta pela produção, a luta de classes e as experiências científicas da sociedade. A existência social dos homens determina seus pensamentos. Uma vez dominadas pelas massas, as idéias corretas, característica da classe avançada, se converterão numa forma material para transformar a sociedade e o mundo”. (De onde provêm as idéias corretas? – Mao Tsetung).
Sebastién Faure - 12 provas da inexistência de Deus
Há duas maneiras de estudar e procurar resolver o problema da existência de Deus.
A primeiro consiste em eliminar a hipótese Deus do campo das conjecturas plausíveis ou necessárias, por meio de uma explicação clara e precisa, isto é, por meio de uma exposição de um sistema positivo do Universo, das suas origens, dos seus desenvolvimentos sucessivos, dos seus fins. Esta exposição inutilizaria a idéia de Deus e destruiria antecipadamente a base metafísica em que se apóiam os teólogos e os filósofos espiritualistas.
A existência em Deus implica necessariamente a escravidão de tudo abaixo dele. Assim se Deus existisse, só haveria um meio de servir a liberdade humana: seria o de deixar de existir.”Mikhail Bakunin
Dado, porém, o estado atual dos conhecimentos humanos, em tudo o que tem sido demonstrado ou passa a demonstrar-se, verificado ou verificável, somos forçados a concluir que nos falta esta exposição e que não existe um sistema positivo do Cosmos. Existem, é certo, várias hipóteses engenhosas que não se chocam com o razão; sistemas mais ou menos aceitáveis que se apóiam numa série de investigações, que se baseiam na multiplicidade de observações contínuas e que dão um caráter de probabilidade impressionante. Também se pode afirmar, sem receio de ser desmentido, que esses sistemas, essas hipóteses, suportam vantajosamente as asserções deístas. Mas a falar a verdade, não há, sobre este posto, senão teses que não possuem ainda o valor da exatidão cientifica; – cada um, no fim das contas, tem a liberdade de preferir tal ou qual sistema a um outro que lhes é oposto; e a solução do problema assim apresentado afigura-nos, pelo menos na atualidade, cheio de reservas.
Os adeptos de todas as religiões aproveitam assim as vantagens que lhes oferece o estudo deste problema, bem árduo e bem complexo, não para o resolver por meio de afirmações concretas ou de raciocínios admissíveis, mas tão-somente para perpetuar a dúvida no espírito de seus correligionários, que é, para eles, o ponto de capital importância.
E nesta luta titânica entre o materialismo e o deísmo, luta em que as duas teses opostas se empenham e se reforçam para conseguir o triunfo, os deístas recebem rudes golpes; e, conquanto se encontrem numa postura de vencidos, ainda tem a petulância de se apresentar à multidão ignara como dignos cantores da vitória! Uma prova concludente do seu procedimento baixíssimo encontramo-la na maneira como se exprimem nos jornais da sua devoção; e é com essa comédia que procuram manter, com cajado de pastor, a imensa maioria do rebanho.
Também é isto que desejam ardentemente esses maus pastores.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Pierre-Joseph Proudhon - Do Princípio Federativo
Esse clássico de Pierre-Joseph Proudhon apresenta ao leitor um dos princípios basilares do pensamento libertário: o federalismo. O autor analisa o princípio de federação a partir das relações de liberdade e autoridade que se dão dentro da sociedade. A partir disso, discute as formas de autoridade e aponta o federalismo como forma de solução política para a sociedade. Proudhon assim define sua idéia de federação: “FEDERAÇÃO, do latim foedus, genitivo foederis, quer dizer pacto, contrato, tratado, convenção, aliança [...] o sistema federativo é oposto da hierarquia ou centralização administrativa e governamental”.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Marilena Chauí - O que é Ideologia
Ideologia: um mascaramento da realidade social que permite a legitimação da exploração e da dominação. Por intermédio dela, tomamos o falso por verdadeiro, o injusto por justo. Como ocorre essa ilusão, essa fabricação de uma história imaginária? Qual sua origem? Quais seus mecanismos, seus fins e efeitos sociais, econômicos e políticos?
Álvaro L. M. Valls - O que é ética
O livro começa assimilando ética ao comportamento humano em suas diversas ações e costumes, trazendo uma série de questionamentos.
O primeiro capítulo, o autor mostra os problemas, a maneira tradicional e a moderna em que os povos agiam diante da ética e da moral, já que o assunto gerava polêmica. Como foi no caso de Sócrates, filósofo grego, condenado a beber veneno, acusado de induzir a juventude a questionar as leis. Enquanto isso Kant achava que ética dependia da igualdade humana, estava sempre em busca da moral racional entre os povos, ou seja, todos deveriam agir segundo a razão.
A ética é um conceito que sempre esteve presente em todas as sociedades e hoje se resume em uma ética individual, onde cada pessoa define o que prefere seguir e idealizar. Define como praticar o bem e qual caminho seguir. Aprendem a lidar com as diferenças e diversos costumes de um povo a outro. A forma como a ética e a moral vai ser explorada, varia, pois enquanto uma se torna dever, a outra tende para a obrigação.
Hegel - A razão na História
Nenhum outro sistema filosófico exerceu uma influência tão forte e tão duradoura na vida política como a metafísica de Hegel. Todas as ideologias recentes trazem a sua marca. Hegel trabalhou historicamente uma antítese contra a Idade Média: a eficiência social contra a moral cristã. A tarefa de nosso tempo parece ser a de produzir uma síntese das duas.
A Razão na História é o nome que recebeu a introdução de Lições sobre Filosofia da História que segundo Robert S. Hartman, por sua vez autor da introdução didática a este livro, é a parte que contém a definição de Hegel sobre a questão.
Michel Foucault - Arqueologia do saber
A importância desta obra no percurso teórico do autor é um esforço notável no sentido de se restabelecer as bases sólidas para a investigação científica e uma revisão conceitual que enfatizem a natureza recorrente da história epistemológica. Foucault nos legou neste livro uma lição de extraordinário valor, que irá sobreviver aos ataques radicais de críticos recentes que propõem esquecê-lo e o acusam de um niilismo dogmático e empobrecedor.
A lição do autor é que não temos nada mais o que esperar de um falso conhecimento objetivo, nem das ilusões da subjetividade pura, mas tudo o que aprender e compreender de uma arqueologia das práticas (a medicina, a biologia ou a economia política), que fizeram de nós aquilo que somos. O domínio das coisas ditas é o que se chama arquivo; o papel da arqueologia é analisá-lo.
Marshal Berman - Tudo que é sólido desmancha no ar
Ensaio histórico e literário, este livro de Marshall Berman é uma aventura intelectual. Visão dos tempos modernos, investigação do espírito da sociedade e da cultura dos séculos XIX e XX. Berman não hesita diante do desafio de lidar com as mais diversas áreas do saber – crítica literária, ciência econômica e política, arquitetura, urbanismo e estética. ‘Tudo que é sólido desmancha no ar’ constitui uma instigante sucessão de leituras originais e reveladoras de autores e suas épocas, a começar pelo ‘Fausto’ de Goethe, passando pelo Manifesto de Marx e Engels, pelos poemas em prosa de Baudelaire, pela ficção de Dostoiévski, até as vanguardas artísticas contemporâneas
Antonio Gramsci - Os intelectuais e a organização da cultura
Partindo da tese de que as classes sociais criariam seus “intelectuais orgânicos”, Gramsci reforça o papel crucial da vanguarda revolucionária nos processos de transformação político-sociais.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Aristóteles - A Política
Sabemos que toda cidade é uma espécie de associação,e que toda a associação se forma tendo por alvo algum bem. Por que o homem só trabalha pelo que ele tem conta de um bem. Todas as sociedades,pois, se propõem qualquer lucro -sobretudo a mais importante delas, pois que visa a um bem maior, envolvendo todas as demais: A cidade Política.Erram,assim, os que julgam ser um só o governo,político ou real,econômico e despótico - porque acreditam que cada um deles só difere pelo maior ou menor número de indivíduos qu o compõem e não pela sua espécie. Por exemplo, se aquele que governa só possui autoridade sobre um número reduzido de homens,chaman senhor; econômico se dirige a um número ainda mais elevado - não fazendo a menor distinção entre umagrande família políotica e uma cidade. No que se refere ao governo político e real, dizem que quando um homem governa só e com autoridade própria,o governo é sendo pelos termos da Constituição do Estado, alternadamente ,senhor e súdito,o governo é político.
Mikhail Bakunin - Deus e o Estado
A origem da religião está no desconhecimento de nossos antepassados do mundo que os cercava, das Leis Naturais. Assim, inteligência, vida, relações e movimentos saem da matéria, passam de serem meras manifestações naturais e tornam-se abstração: Deus.
Criado o plantel de deuses, o Homem não tinha conhecimento que ele próprio o havia criado, e passa assim a temê-lo e a ser seu escravo. Rapidamente, surge uma casta de intermediadores, que aproveitando-se da ignorância e da pobreza reinantes passa a utilizar-se da religiosidade para seu próprio proveito. Tendo os deuses se estabelecido no imaginário coletivo, surge o clero, os inspirados intermediadores da sabedoria dos deuses, ou seja, a autoridade e a hierarquia do conhecimento e da inspiração.
Com o passar do tempo, apenas a fundamentação moral não funciona mais para legitimar tal poder, devendo assim ser acompanhada da fundamentação da espada, do Estado, que é legitimado e legitima a religião, acompanhando seu modelo de hierarquização e autoridade. Ambos andam desta forma lado-a-lado. Na teologia nada é contestável, tudo é auto-explicativo. No Estado, nada deve ser contestado.
Todas as religiões têm um calcanhar de Aquiles: quando, como e porque o Ser divino eterno, infinito e absoluto, entediado de si mesmo resolveu criar o Homem? Nenhuma religião nem ninguém tem a resposta à esta questão, não há discussão, afinal os deuses seriam tão superiores que nos restaria apenas louva-los e não entendê-los. Mas, reconhecer que tudo o que é grande e belo é divino é desacreditar na potencialidade da humanidade, transforma-la na escória, no lixo, na oposição do poder total de Deus. E é exatamente contra isto que Bakunin lutava.
Criado o plantel de deuses, o Homem não tinha conhecimento que ele próprio o havia criado, e passa assim a temê-lo e a ser seu escravo. Rapidamente, surge uma casta de intermediadores, que aproveitando-se da ignorância e da pobreza reinantes passa a utilizar-se da religiosidade para seu próprio proveito. Tendo os deuses se estabelecido no imaginário coletivo, surge o clero, os inspirados intermediadores da sabedoria dos deuses, ou seja, a autoridade e a hierarquia do conhecimento e da inspiração.
Com o passar do tempo, apenas a fundamentação moral não funciona mais para legitimar tal poder, devendo assim ser acompanhada da fundamentação da espada, do Estado, que é legitimado e legitima a religião, acompanhando seu modelo de hierarquização e autoridade. Ambos andam desta forma lado-a-lado. Na teologia nada é contestável, tudo é auto-explicativo. No Estado, nada deve ser contestado.
Todas as religiões têm um calcanhar de Aquiles: quando, como e porque o Ser divino eterno, infinito e absoluto, entediado de si mesmo resolveu criar o Homem? Nenhuma religião nem ninguém tem a resposta à esta questão, não há discussão, afinal os deuses seriam tão superiores que nos restaria apenas louva-los e não entendê-los. Mas, reconhecer que tudo o que é grande e belo é divino é desacreditar na potencialidade da humanidade, transforma-la na escória, no lixo, na oposição do poder total de Deus. E é exatamente contra isto que Bakunin lutava.
Os padres conduzem seu rebanho - nome um tanto pejorativo e demonstrador da visão dos fiéis como ignorantes e manipuláveis - e não sacrifica-se por ele, ao contrário, o sacrifica em nome de Deus e da Santa Madre Igreja.
A manipulação dos fiéis permite então a rápida acumulação de poder e propriedades nas mãos da casta dirigente, que passa a utilizar-se desta grandiosidade para buscar por novas formas de conquistar mais poder e fontes de riqueza, e encontra assim a formação do Estado como uma excelente base para administrar e justificar seu poder, fazendo com que em uma via de dupla mão, ambos - Igreja e Estado - beneficiem-se mutuamente do poder para conquistar ainda mais poder e mais recursos para seus dirigentes.
A manipulação dos fiéis permite então a rápida acumulação de poder e propriedades nas mãos da casta dirigente, que passa a utilizar-se desta grandiosidade para buscar por novas formas de conquistar mais poder e fontes de riqueza, e encontra assim a formação do Estado como uma excelente base para administrar e justificar seu poder, fazendo com que em uma via de dupla mão, ambos - Igreja e Estado - beneficiem-se mutuamente do poder para conquistar ainda mais poder e mais recursos para seus dirigentes.
Passa-se então ao momento histórico dos Estados Religiosos, onde as Cruzadas, as Navegações, a Escravidão Moderna e a Exploração do Desconhecido são justificadas pela religião e aplicadas pelo Estado. O vínculo torna-se claro e inegável: a dominação é legitimada e estimulada pelas duas instituições.
Voltaire disse uma célebre frase: se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo. Bakunin, rebate-a: se Deus existisse, seria preciso aboli-lo, afinal, se Deus existe, o homem é escravo; ora, o homem pode, deve ser livre, portanto, Deus não existe. Voltaire, entretanto, não compreendeu que o Deus que ele buscava não era o dos idealistas, e sim o dos materialistas, ou seja, o Estado. Este novo deus foi criado, assim com o Outro, e sua forma mais moderna foi a sugerida por Russeau e aplicado fielmente por Robespierre.
A Revolução Francesa em seu princípio, derrubou Monarquia e Igreja. Mas, estabelecida no poder, a burguesia percebe que para preservar seus recém-conquistados privilégios contra a massa proletária ainda insatisfeita, não bastaria somente o Terror, a guilhotina e o rifle, mas sim também a moral. Abrem-se então as portas da França para o retorno da Igreja, que legitimará então mais uma vez o Estado e seu poder despótico.
Voltaire disse uma célebre frase: se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo. Bakunin, rebate-a: se Deus existisse, seria preciso aboli-lo, afinal, se Deus existe, o homem é escravo; ora, o homem pode, deve ser livre, portanto, Deus não existe. Voltaire, entretanto, não compreendeu que o Deus que ele buscava não era o dos idealistas, e sim o dos materialistas, ou seja, o Estado. Este novo deus foi criado, assim com o Outro, e sua forma mais moderna foi a sugerida por Russeau e aplicado fielmente por Robespierre.
A Revolução Francesa em seu princípio, derrubou Monarquia e Igreja. Mas, estabelecida no poder, a burguesia percebe que para preservar seus recém-conquistados privilégios contra a massa proletária ainda insatisfeita, não bastaria somente o Terror, a guilhotina e o rifle, mas sim também a moral. Abrem-se então as portas da França para o retorno da Igreja, que legitimará então mais uma vez o Estado e seu poder despótico.
A educação passa a ter com a passagem do tempo cada vez mais importância, visto que a qualificação dos trabalhadores se faz necessária ao mesmo tempo e que o controle destes torna-se cada vez mais complicado.
A Escola passa, então, a funcionar como órgão legitimador da ideologia estatal, ensinando que Deus, para consolar-nos dos problemas da vida terrena enviou-nos os Santos Governantes, que devem ser louvados e reverenciados, Santos Homens como os Reis Ibéricos, os Czares e Napoleão!
O poder, a onipotência, a onipresença e a onisciência fazem com que Deus seja obviamente infinitamente maiores e melhores do que todos os homens juntos jamais serão.
Este poder total e avassalador entra na mentalidade das pessoas, que passam a compreender que o controle e o poder total do Estado também são fenômenos normais assim como Deus.
Este poder total e avassalador entra na mentalidade das pessoas, que passam a compreender que o controle e o poder total do Estado também são fenômenos normais assim como Deus.
Fonte: http://www.netsaber.com.br
Caio Prado Jr - Teoria Marxista do conhecimento e método dialético materialista
O traço fundamental e essencial da teoria marxista do conhecimento, ou antes daquilo que devia ser esta teoria, caso Marx tivesse desenvolvido e expresso a sua concepção acerca do conhecimento, esse traço é a natureza “construtiva” do conhecimento. Veja-se bem “representação”, e não reprodução, decalque ou outra forma da transposição de algo, da Realidade para o pensamento. O verum (e empregamos aqui o latim, que é o idioma oficial e padrão da Metafísica) seria algo que se situa na mesma linha do bonum, do unum, do aliquid, do res, como propriedade que deriva imediatamente do ente. Formulações igualmente ambíguas e reveladoras da concepção que vimos, isto é, a do Conhecimento como preexistente na Realidade exterior ao pensamento, e por ele aí apreendido (ou “refletido”, como se exprime a “teoria do reflexo”), se encontram esparsas pela generalidade dos textos do Dicionário de Rosenthal e Yudin referentes ao assunto. Não discutiríamos também as razões e explicação da persistência dessa deformada e tão prejudicial visão metafísica do fato do Conhecimento. Referindo-se às origens da Economia Política, como disciplina científica, Marx nos traz, nos chamados Manuscritos de 1857, uma breve súmula do que constitui, em suas próprias palavras, “o método científico correto” da elaboração do Conhecimento. Esse essencial consiste centralmente e numa palavra, na determinação de relações através da análise. do conjunto de que participam e que constituem. O papel que cada qual desses elementos desempenha é sempre função do dos demais. Operação essa última da qual resultam as mercadorias que uma vez vendidas recompõem em dinheiro o valor do capital originariamente invertido, mais um excedente que representa o lucro do capitalista titular do mesmo capital. Encontramo-nos aqui, como se vê, no coração da problemática do Conhecimento. Na Filosofia clássica, isto é, inspirada e fundamentada na Metafísica, trata-se na elaboração do Conhecimento de apreender a “essência” do objeto real. a unidade na diversidade” — o que é, segundo vimos, da natureza das relações. Doutro lado, contudo, na elaboração do Conhecimento, “as noções abstratas permitem reproduzir o concreto por via do pensamento”. No primeiro caso, que consideramos acima, colocamo-nos na perspectiva do Conhecimento já elaborado e incluído no pensamento, que é o conceito representativo de uma feição da Realidade (o concreto real), resultante do processo de síntese efetuado pela integração do relacionamento. No outro caso, estamos na perspectiva contrária, a saber, na do processo de síntese em operação e que vai dar na reprodução e representação mental do concreto real. No “concreto pensado”, na expressão de Marx. É justo, mas é uma simples tautologia — na medida em que a totalidade concreta, uma vez que a totalidade pensada ou representação intelectual do concreto, é o produto do pensamento e da representação. Mas ela não é absolutamente o produto do conceito que se engendraria ele próprio, que pensaria fora e acima da percepção: ela é o produto da elaboração dos conceitos a partir da percepção e da intuição. Considera-as na perspectiva umas das outras e do conjunto que constituem. Encontramos aqui mais uma circunstância, e das mais graves, da confusão que as concepções metafísicas com suas distinções e rígidas discriminações, introduzem na apreciação dos fatos do Conhecimento. Faremos adiante essa transposição para uma instância essencial da obra de Marx. Observe-se o desenrolar do pensamento na operação de equacionamento. Nesta preliminar teórica acerca do seu método de elaboração da Economia Política, isto é, da conceituação mentalmente representativa da estrutura e do funcionamento do capitalismo, Marx não conta em mais pormenores da maneira como realizar, e como de fato ele realizaria o relacionamento a que se propôs. Que incógnita é essa? O que central e fundamentalmente preocupa Marx ao abordar a análise do sistema econômico do capitalismo é sem dúvida a compreensão da maneira pela qual se realiza nesse sistema a exploração do trabalhador, isto é, o usufruto por alguns, dos resultados do trabalhador e esforço produtivo de outros. Será na premissa que se propõe nesse fato da exploração do trabalho humano que partem. Marx terá descoberto e reconhecido a mais-valia como forma específica de comportamento social, disfarçada e oculta no âmago das situações, feições e circunstâncias em geral da Realidade econômica do capitalismo. A saber, a circulação do valor de troca. A saber, a circulação do capital. O relacionamento das situações e momentos sucessivos do processo histórico do capitalismo em sua gênese, e com isto a reconstituição da seqüência e continuidade daquele processo, prepara e esclarece o relacionamento que irá dar na percepção do conjunto da organização econômica analisada por Marx. Realmente, o papel do capital e a maneira como se comporta — e com isto aquela percepção de conjunto da estrutura e funcionamento do sistema — se alcança sobretudo ao considerar o processo histórico através do qual a circulação do capital se amplia e por essa ampliação adquire nova e mais complexa feição. É nisto que essencialmente consiste a circulação do capital industrial, feição essencial e fundamental do capitalismo e centro nevrálgico do sistema. Assim sendo, “o valor da força de trabalho será o valor dos meios de subsistência necessários à manutenção do trabalhador” Temos aí a solução do problema central que Marx se propôs, e que o levou à conceituação do sistema capitalista. Isto é, à teoria econômica do capitalismo.
Fonte: http://pt.shvoong.com
Assinar:
Postagens (Atom)















